Friday, June 10, 2011

A lua de Joana



Este 'e, sem duvida, um dos livros da minha vida. Se nao mesmo o primeiro.
Acho que todas as pessoas que amam a leitura como eu, nao devem deixar de ter na sua estante o livro "A lua de Joana". Este pequeno amigo, impressionantemente tocante e realista, retrata a vida de Joana, uma adolescente que perdeu a melhor amiga (Marta) por overdose. Devido 'a imensa saudade que sente, Joana
começa a escrever-lhe cartas, contando-lhe o seu dia-a-dia, usando-as como uma espécie de diário, que lhe dá uma sensação de proximidade de Marta, que conhecia desde criança e com quem sempre teve segredos e cumplicidade. 
Numa tentativa de mudanca, Joana resolve pintar o seu quarto de branco e pendurar um baloiço em forma de lua, à qual muda a posição conforme o seu humor. Sentindo-se cada vez mais itsolada de tudo e todos, Joana, como forma de tentar compreender o que levou Marta a fazer o que fez, comeca a percorrer o mesmo caminho que a amiga. Acabando por morrer do mesmo modo.

Conseguimos perceber que existe um "retrato" da vida desta adolescente, ha medida que seu pai vai lendo as cartas que ela deixou para a melhor amiga,  sentindo-se impotente por não ter estado lá para ela, por nao ter percebido nada...e por não ter conseguido evitar que, tal como Marta, Joana morresse tambem.

Este foi o primeiro livro que me fez chorar por o ter perdido e pelo qual corri meio mundo para o ter de volta. 'E daqueles que estao sempre la...na minha mesinha de cabeceira.


Deixo aqui uma citacao das cartas que ela escreveu:

"Querida Marta,
Fui ter com um amigo da Rita e mandei fazer uma tatuagem no pulso: um relógio... Agora tenho um relógio eternamente parado nas zero horas.

Pelo menos este não poderei vender... a minha mãe teve uma crise de nervos quando me viu o braço e deu-me uma estalada. Não senti a dor, porque já tudo me doía.

Quando o meu pai chegou a casa, depois do jantar, deu-me uma fúria, e, por momentos, senti uma enorme vontade de levantar o braço, pôr-lhe em frente da cara e berrar com toda a força "Agora sei sempre a que horas vais chegar, Pai! Este relógio é o único que tem as tuas horas! Estás contente?!"

Mas não lhe disse nada. Nem ele a mim...

Não aguento mais. Preciso urgentemente de fazer uma cura qualquer. tenho de sair daqui... tenho montes de coisas para estudar, mas não dá para pegar num livro. Sinto a cabeça nos pés. Debaixo dos pés.

Um beijo da Joana "

E assim, foi como acabou:

"Querida Marta,

Esta noite tive o pesadelo mais incrível de sempre!...Eu estava sozinha num lugar que parecia o céu, mas não era... Comecei a subir as escadas e, quando cheguei quase o cimo, vi que estava alguém à minha espera. Era uma espécie de anjo, com um manto escuro, mas não tinha cara... percebi que tinha de segui-lo...

Que é isso? (perguntou a mãe ao pai)

São cartas... da Joana...

Encolheu as pernas lentamente e fixou os olhos inchados naquele baloiço estranho suspenso no tecto em forma de lua.

Desapertou a correia do relógio e pousou-o devagar sobre a mesinha. Agora, tinha todo o tempo do mundo. para quê? "


 

Lembro-me que li e reli este livro vezes sem conta, hoje deu-me uma tremenda vontade de o ler de novo. Porque ha livros que ficam, eternamente, na gavetinha da memoria da gente...

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